CAPÍTULO 4
ESTE VÍDEO ASSUSTADOR TERA VOCÊ COBRINDO SEUS OLHOS
Vanessa
Eu estava enxugando Carmex na ferida em meu lábio quando ouvi uma conversa no corredor. Inclinei-me nas pontas dos dedos para espiar pelo olho mágico. Adrian, com uma garota que estava segurando um Chihuahua.
Eu mal conseguia vê-lo daquele ângulo, mas tinha uma visão completa dela.
Ela era bonita, o que eu acho que não era surpreendente. O homem era um dez. Ele provavelmente poderia namorar supermodelos se quisesse.
Adrian se aproximou dela para olhar o cachorro, e ele mudou para minha linha de visão. Ele ainda estava com o terno de antes, só que havia perdido o paletó e a gravata. Os dois primeiros botões de sua camisa de trabalho azul-claro estavam abertos e as mangas enroladas até o cotovelo.
Deus, ele era sexy. Você poderia fazer um calendário com os muitos looks de Adrian Copeland e arrecadar dinheiro suficiente para financiar a cura do câncer. Adrian, correndo sem camisa. Adrian de terno. Adrian, com minha sobrinha mal-humorada em seu peito.
Ele parecia irritado. Ele estava com os braços cruzados. Eu realmente não conseguia ouvir o que eles estavam falando.
Meu laptop vibrou com uma chamada via Skype.
Drake.
Saí do meu posto, sentei-me e respondi.
O rosto bronzeado de Drake Lawless apareceu na minha tela. A julgar pelas palmeiras atrás dele, ele estava em algum lugar tropical. Eu já estava com ciúme.
Ele estava com seu colar de dente de tubarão, sem camisa como sempre, e seu cabelo loiro estava desgrenhado. Eu podia praticamente sentir o cheiro do protetor solar de coco e do oceano através do meu computador.
— E aí, linda. — Ele me deu um de seus sorrisos deslumbrantes. — Entããão... abdômen de Jesus?
Eu bufei. — Você não tem ideia. O homem é um presente de Deus para todos nós — falei, procurando em minha mesa por uma lixa de unha. — Foi como se o abdômen de Jesus assumisse o controle aqui.
É uma pena que provavelmente nunca o verei de novo, a menos que olhe por um olho mágico.
Drake não teve a chance de responder porque Laird andou nu na parte de trás da tela.
— Laird! — gritei, virando-me com força para a esquerda. Ambos os homens riram do meu laptop.
— Ei, Nessa — Laird chamou.
Eu bufei indignada olhando para o chão. — Laird, ainda não estou falando com você.
— Oh, vamos lá. — Eu podia ouvir o sorriso em sua voz. — Ele me fez uma oferta que não pude recusar.
Eu olhei para a tela. Laird ficou sorrindo para mim por cima do ombro de Drake, uma visão direta de sua virilha misericordiosamente coberta pelo corpo de Drake.
Eu cruzei meus braços. — Primeiro você me deixa por Drake e me faz lutar para encontrar um novo câmera, e agora você me fez ver suas bolas. Bem quando eu pensei que minha semana não poderia piorar.
Ambos os homens riram novamente e Laird saiu da tela, balançando o pênis. Eu olhei de volta para Drake. — Por favor, compre algumas calças para o seu funcionário, ou dê a ele uma folha de figueira ou uma tanga ou algo assim?
Ele riu bem-humorado.
Drake típico. Decoro zero. Camp Lawless era como uma comuna hippie. Ioga nua e falando sobre chakras. Eu não ficaria surpresa se uma cabra usando um colar havaiano com uma galinha montada nas costas passeasse a seguir.
Drake inclinou a cabeça. — Você precisa de alguma coisa, borboleta? Como vai a maternidade?
— Bem. Excelente. É incrível o quanto isso muda você. Eu me pego dizendo coisas como, ‘é só fazer xixi de bebê’. Como se estivesse tudo bem, como se fosse superior ao tipo normal, então eu deveria estar bem por estar no meu edredom de penas de ganso.
Ele riu.
Soltei um longo suspiro. — Não tenho ideia de como vou continuar expandindo o conteúdo dessa situação.
— Nenhuma mudança com Annabel? Você tem alguma ideia de onde ela está?
Eu zombei. — Eu sei exatamente onde ela está. Ela está com meu pai. E por falar em papai, ele apareceu aqui com ela exigindo que eu os deixasse ver Grace. Ela estava completamente chapada. E então papai acidentalmente empurrou a porta na minha boca. — Eu coloquei minha língua na crosta. — Jesus's Abs voltou para casa e os expulsou - porque não era o suficiente eu parecer louca na frente dele apenas uma vez.
Ele conseguiu parecer preocupado e divertido ao mesmo tempo. — Como ela estava?
Eu desviei o olhar dele. — Não estava bem. Talvez o pior que eu já vi — eu admiti.
Drake estava bem ciente dos meus problemas familiares. Eu não precisava agradá-lo com os detalhes. Ele sabia tudo sobre o dia em que Annabel deixou Grace e nunca mais voltou.
Ela usou meu banheiro antes de sair. Roubou uma garrafa inteira de hidrocodona e bebeu todo meu remédio para tosse com codeína, depois encheu a garrafa com água para que eu não percebesse - eu percebi.
— Estou tentando levá-la para a reabilitação, mas ela não vai — eu disse.
— Você pode falar com seu pai?
Eu bufei. — Sim. Papai não consegue evitar — eu disse amargamente. Eu esfreguei minha testa. Seus olhos seguiram minha mão e focaram na cinta que eu usava. Pela primeira vez, de verdade, vi o humor sumir e uma carranca tocar os cantos de sua boca. Drake sempre sorria. Eu o vi sorrir sendo carregado em uma maca com queimaduras de terceiro grau. O homem feliz não tinha um botão de desligar.
Eu coloquei meu braço fora da câmera. — É só para digitar — menti.
Ele ficou quieto por um momento. — Você vai mandar ver? — ele perguntou, sua voz baixa.
Eu pressionei meus lábios em uma linha. — Não adianta passar meses no hospital sendo cutucada e cutucada por um diagnóstico que não mudará o resultado. Não estou vivendo minha vida como o Ciclope, desistindo de um olho para saber o futuro de como e quando morrerei. Minha avó tinha. Minha irmã Melanie tinha. Minha tia Linda tinha. Minha mãe também tinha. Todas mulheres, todas mortas aos trinta. Há cinquenta por cento de chance de eu herdar o gene e, com base na linha feminina, diria que é maior do que isso. Quero ser completamente ignorante até que seja dolorosamente óbvio como isso termina. Esta é minha escolha. Eu tenho que viver com isso, como as escolhas de merda de todo mundo com as quais eu também tenho que viver.
Não pude nem fazer teste genético para ver se era portadora. Os médicos não conseguiram identificar o gene mutante que existia na minha família. Se eu era nascida com ele, eu não saberia até que ele começasse a me matar.
Ele me estudou em silêncio. — Existem novos ensaios clínicos? Não custa tentar.
Eu balancei minha cabeça. Drake sabia minha posição sobre isso também.
Melanie tinha seguido o caminho da Ave Maria quando adoeceu. Tentou tudo. Eu prometi a mim mesma que se algum dia adoecesse, não iria me colocar nessa situação. Não fazia sentido.
— Provavelmente não é nada. Eu ficarei bem. E hey, poderia ser pior — falei. — Eu poderia ter o gene que faz o coentro ter gosto de sabonete.
Isso desenhou um sorriso torto.
Vendo que eu não iria aprofundar a discussão, Drake teve misericórdia de mim e mudou de assunto. — Se você está procurando por conteúdo, você e eu sempre podemos voltar a ficar juntos.
Eu revirei meus olhos. — Oh, haha.
Ele sorriu. — Éramos ótimos juntos, borboleta. Eu sinto sua falta. E se você viesse aqui, eu lhe daria Laird de volta.
— Mantenha-o. Já vi o suficiente dele para a vida toda.
Ele deu uma risadinha.
— De qualquer forma, não posso tirar o bebê do país. Estou presa em meu apartamento, lidando com Serviços de Proteção à Criança e obtendo uma liminar de emergência para a tutela de uma criança abandonada porque mais uma vez minha família jogou suas responsabilidades sobre mim.
— Quer que eu envie a você meu fitoterapeuta?
Eu ri um pouco. — Não, estou bem. Eu me viro. Eu sempre faço.
Bem, faria contanto que eu pudesse. Até que eu não estivesse mais por perto para fazer isso.
E esse dia poderia chegar mais cedo do que eu pensava.